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Óleo mineral para aliviar problemas intestinais pode causar pneumonia
Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
03/08/2011 | 09h48 | Aspiração

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Apesar da fama de ser poderoso contra as cólicas intestinais de bebês, o óleo mineral é um dos grandes inimigos de crianças, adultos e até idosos. E, segundo especialistas, há muito esta receita caseira adotada em casa deveria ter sido proibida no país, em vez de estar ao alcance de todos nas prateleiras dos supermercados e balcões de farmácias. O alerta ganhou peso com um quadro que tem assustado pediatras: o número de casos graves de crianças internadas depois de aspirar o óleo triplicou no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC/UFMG), em Belo Horizonte. Somente este ano já são 15 casos graves da chamada pneumonia lipoídica, que ocorre por aspiração, ingestão ou inalação do óleo mineral. Nos últimos três anos, o número de internações do tipo não passava de cinco por ano.

A situação já é considerada por médicos como a epidemia de 2011. Pneumologista pediátrico do HC/UFMG e membro do Comitê de Pneumologia Pediátrica da Sociedade Mineira de Pediatria, Cássio Ibiapina conta que o número de internações no hospital é preocupante. "Mas não é uma particularidade nossa. Sabemos que a rede privada e também outros hospitais têm recebido uma quantidade maior de pacientes com esse tipo de problema", diz, acrescentando que um dos motivos para o quadro pode ser a automedicação. "Muitas vezes, o óleo é usado para hidratação da pele. Mas sempre há aquele parente que o indica para a prisão de ventre. E é aí que mora o perigo", alerta.

Quando um recém-nascido é forçado a tomar o líquido, em vez de ele ir para o esôfago e estômago, cai direto no pulmão . "Por ter um sabor ruim, a criança engasga e aspira o óleo. Ele vai para o pulmão e, como não é eliminado naturalmente, vem a pneumonia", explica o médico. Foi o que ocorreu com o filho de Alessandra Mendes Baião Andrade no início do ano. Mãe dos gêmeos Caio e Douglas, de 5 meses, Alessandra, ao ver que os meninos não evacuavam havia dois dias, procurou o posto de saúde perto de casa, mas como os funcionários estavam em greve, resolveu ir à uma farmácia. "Lá, me disseram para dar a eles o óleo. Foi o que fiz. Douglas tomou sem nenhum problema. Mas quando fui dar a dose ao Caio, ele engasgou e ficou sem ar. Tossia muito. Fiquei desesperada e bati sem parar nas suas costas e o óleo não voltou. Como ele foi ficando mole nos meus braços, levei-o para o hospital", lembra.

 


Diagnosticado como caso grave de pneumonia lipoídica, com o líquido espalhado por todo o pulmão, Caio foi transferido às pressas para o HC/UFMG. "No caminho, tive medo de ele não aguentar. Ele foi internado no CTI em 17 de março e só saiu de lá em 20 de abril. Os médicos já disseram que ele só iria sobreviver por milagre", lembra a mãe do bebê. Caio sobreviveu e Alessandra garante que nunca mais quer saber do óleo que quase lhe levou o filho.


Esse "nunca mais" também deveria ser adotado pela rede de saúde de todo o país, conforme alerta o presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva/Minas Gerais e chefe do Serviço de Endoscopia do Hospital João Paulo II da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), Paulo Bittencourt. De acordo com ele, o óleo mineral não poderia jamais ser vendido como ocorre hoje. "Esse produto deveria ser proibido. Hoje em dia há muitos outros medicamentos que ajudam no funcionamento do intestino", diz Bittencourt, lembrando que ao fazer a broncoscopia os médicos não conseguem remover todo o óleo do pulmão. "As células macrófagos do pulmão, como não conseguem destruir esse corpo estranho, acabam absorvendo as gotículas", explica, acrescentando que quem ingere o óleo poderá ter problemas crônicos de respiração para o resto da vida. "Apesar de em menor grau, o risco de ingerir a dose existe não só para recém-nascidos. Adultos e idosos também podem ser vítimas."

Médicos

A culpa pela procura da dose perigosa não é só do cidadão leigo. De acordo com Paulo Bittencourt, muitos médicos prescrevem o líquido, sem saber que pode estar colocando em risco a vida de um bebê. "Na maioria das vezes é por indicação médica que as pessoas compram o óleo. E isso nos deixa ainda mais alertas", afirma. Segundo Cássio Ibiapina, há até mesmo pediatras que desconhecem a nocividade do medicamento.

O farmacêutico Hairton Ayres diz que a procura pelo óleo, cujo valor gira em torno de R$ 5, é grande e, muitas vezes, quem compra tem nas mãos a prescrição médica. "O uso do líquido é um hábito de antigamente. Ninguém imaginava que um produto aparentemente inofensivo fosse perigoso. Desde 2001, a própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta todos sobre o risco", conta, dizendo que o papel do farmacêutico é o de avisar aqueles que procuram a substância. "Muitas mães chegam aqui e, preocupadas com o intestino da criança, acabam levando qualquer laxante, algumas com prescrição médica. Orientamos a mudar a alimentação, fazer massagens no bebê e movimentos com a perna. Até sete dias sem evacuar é normal", diz.

Do Estado de Minas







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