Um centro audiovisual na reserva xucuru


Índios cederam casa onde vai funcionar o centro audiovisual da reserva
Foto: Roberto Cavalcanti/Especial
Oficinas concluídas, jovens índios capacitados. E um novo desafio: como dar continuidade ao projeto de formação em cinema e vídeo dos xucurus? A resposta tem como ponto de partida a montagem de um núcleo audiovisual dentro da reserva indígena. Embora não contemplada no escopo original do projeto, o centro já tem até data para e tornar uma realidade. A inauguração do espaço deve acontecer durante as festividades da Assembléia dos Xucuru, entre os dias 17 e 20 de maio, quando os curtas em fase de produção dentro da tribo também serão lançados em uma exibição pública.

Para viabilizar o funcionamento do núcleo – que já tem todo o aparato tecnológico de última geração garantido -, a produtora Cabra Quente está em busca de parceiros, sejam eles públicos ou privados, dispostos a tocar o plano. Doações na forma de material de construção e equipamentos, avisam os coordenadores do projeto, são bem-vindas. O primeiro passo para a concretização do centro, porém, veio por iniciativa dos próprios índios. Como contrapartida à realização das oficinas, o próprio povo Xucuru doou uma pequena casa da comunidade para a montagem do núcleo.


Zenaide, viúva de Xicão, acredita na oportunidade de um futuro melhor para o jovem xucuru
Imagens: Juliana Aragão

Quando estiver pronto, o centro vai contar com duas câmeras de alta definição e última geração, microfones para reportagem e documentário e um computador capaz de se transformar na mais potente ilha de edição da região. Uma das principais preocupações dos responsáveis pelo projeto é conseguir parceiros para a instalação de internet de banda larga no núcleo.
 

Hamilton Costa Filho acha que o centro vai ser fonte de renda para jovens
Foto: Roberto Cavalcanti/Especial
Com o centro de audiovisual entregue aos índios, a ambição é ir além dos domínios da reserva indígena. Para o responsável pelas oficinas de audiovisual na aldeira xucuru, Hamilton Costa Filho, a formação dos jovens como realizadores pode significar uma fonte de renda para a comunidade e uma nova perspectiva de vida para essa geração de índios. "Vemos que, apesar de o propósito inicial ser o de retratar a realidade da tribo, as idéias de roteiros já começam a extrapolar esse universo". Além da capacitação de jovens cineastas, o projeto também prevê a criação de mão-de-obra - como operadores de câmera, assistentes de som, produtores executivos - para o mercado de audiovisual no estado. Tanto que, ao final das oficinas, os participantes serão levados para períodos de estágio na Cabra Quente e apresentados a outras produtoras.

“Inicialmente, concebemos a ação como uma forma de fortalecimento, de continuidade do nosso processo de luta pela organização sócio-cultural do nosso povo. Depois, pensamos que isso pode garantir a formação desses jovens, em termos financeiros”, reitera o cacique Marquinhos, um dos mais entusiasmados com essa reviravolta cultural que começa a se desenhar bem debaixo dos seus olhos. Até um festival de vídeos produzidos por povos indígenas está nos planos da tribo.


Jovens talentos começam a despontar
Foto: Roberto Cavalcanti/Especial
Novos talentos já começaram a ser identificados entre os participantes das oficinas. “Ficamos surpresos com a desenvoltura de alguns alunos. Tem gente que deu um show na primeira vez que colocou as mãos numa câmera”, vibra Hamilton. Outros naturalmente se interessam mais por produção, operação de som e edição. Um deles, inclusive, já foi selecionado para atuar no novo filme do cineasta Antônio Luiz Carrilho, que ministrou uma das oficinas na tribo.