
250 travestis da RMR foram ouvidas
Foto: Alexandre Gondim/DP |
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Tirando a maquiagem |
Pesquisa traça um raio-x
das travestis de rua
A travesti que trabalha nas ruas do Recife e de Olinda
tem entre 21 e 32 anos (76%); ganha menos de um salário
mínimo por mês (34%); mora sozinha (52%);
parou de estudar ainda no ensino fundamental (31%);
sofre agressão verbal e ameaça de agressão
física (32%) do parceiro (25%); e afirma não
ter proteção (73%) nem satisfação
(66%) na rua. Esses são os dados preliminares
da pesquisa
A realidade social, econômica
e de saúde das travestis/transgêneros nos
pontos de trabalho sexual no Recife e em Olinda.
O estudo, ainda inédito, é da organização
não-governamental Gestos – Soropositividade,
comunicação e gênero, e deve ser
publicado até o final deste ano (confira os resultados
no box abaixo).
Cerca de 250 travestis foram mapeadas pela Gestos em
dez pontos das cidades e quarenta delas foram ouvidas.
Para isso, sete travestis que participam de programas
na ONG foram escolhidas para conversar com as colegas
de rua, sob orientações de psicólogos.
Os locais selecionados foram as avenidas Mário
Melo e Conde da Boa Vista e os bairros de São
José (perto da Casa da Cultura), Boa Viagem e
Imbiribeira (no Recife), além do trecho entre
o Hotel Quatro Rodas e o Bompreço (em Olinda).
“Educação, trabalho e saúde
são os principais problemas enfrentados pelas
travestis que trabalham na rua. Nosso objetivo com essa
pesquisa é traçar um perfil para podermos
planejar melhor nossas ações com o grupo.
Um dos pontos que chamou atenção foi em
relação à raça. Nós
observamos que 32% das entrevistadas tinham pele negra,
mas apenas 35% delas declararam que a cor da pela era
parda, negando a condição negra”,
detalha o coordenador da Gestos, o psicólogo
Tony Lima.
Em relação à saúde, os dados
ainda não estão tabulados, mas Tony adianta
que a maioria das entrevistadas não consegue
identificar as doenças sexualmente transmissíveis.
“Já estamos preparando uma cartilha para
orientá-las”, avisa.
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A realidade social,
econômica e de saúde das Travestis/Transgêneros
nos pontos de trabalho sexual – Recife e
Olinda – 2006/2007
PONTOS PESQUISADOS
Recife: Casa da Cultura, Mario Melo, Imbiribeira,
Boa Viagem e Conde da Boa Vista
Olinda: Do Hotel Quatro Rodas ao Bompreço
de Casa Caiada Amostra: 40 travestis/transgêneros
DADOS PRELIMINARES
Faixa etária:
76% têm entre 21 e 32 anos Local
de residência:
80% residem na Região Metropolitana do
Recife Raça:
Observada: 32% são negras
Declarada: 35% são pardas Companhia
de moradia:
52% moram sozinhas Escolaridade:
31% têm Ensino Fundamental II incompleto
93% não freqüentam a escola atualmente
Renda:
34% ganham menos de 1 salário mínimo
por mês Religião:
Origem – 67% são católicas
Freqüentam atualmente – 32% freqüentam
a Igreja Católica
21% freqüentam terreiros de candomblé
Identificação sexual:
87% se definem como travesti Documentação:
19% têm apenas o Registro de Nascimento
Atividade na rua:
55% exercem atividades de prostituição
66% não têm satisfação
na rua
73% não têm proteção
na rua
AGRESSÃO
Pessoas que cometeram violência
contra elas:
25% - parceiros
16% - policiais
16% - vizinhos
13% - desconhecidos
6% - colegas de trabalho Tipos
de agressão:
32% verbal e ameaça de agressão
25% agressão física
17% violência sexual
17% chantagem e extorsão Agressão
considerada mais grave:
37% agressão física
27% agressão verbal
23% chantagem e extorsão
13% violência sexual Principais
locais:
56% acontecem em locais públicos (rua,
shopping, praças, parques, praia, banheira)
19% no local de trabalho
16% em casa
Fonte: Gestos – soropositividade, comunicação
e gênero |
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