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Pedro e Thiago
Pedro e Thiago ensinaram aos pais as regras para um consumo consciente.
Foto: Juliana Leitão / DP / D.A. Press


A distância entre saber e fazer
Os brasileiros até têm consciência ambiental, mas não transformam isso em atitude

Ainda criança, aprendemos na escola como atitudes tão simples podem ter um impacto significante no meio ambiente. Entre os exemplos que saem da sala de aula estão o cuidado em não jogar o lixo na rua e fazer a separação correta na hora em que for descartá-lo. Ou ainda, não poluir as águas, evitar o seu desperdício e economizar a energia elétrica. E, de fato, os brasileiros parecem estar aprendendo esta lição. Pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência - no final de 2007, com 1,6 mil pessoas de diversas faixas etárias - mostrou que cerca de 90% delas sabem como podem contribuir para evitar a degradação do meio ambiente. Mas o problema é que ainda existe uma distância considerável entre o “saber” e o “fazer”. A mesma pesquina revela que apenas entre 30% e 60% das pessoas levam esses conhecimentos da teoria à prática.

90% dos brasileiros sabem como evitar a degradação do meio ambiente
De acordo com o estudo, 92% dos entrevistados afirmaram, por exemplo, que separar o lixo para reciclagem é uma obrigação da sociedade. Mas apenas 61% têm o habito de proceder desta forma dentro de casa. Além disso, 89% dizem que vale a pena pagar mais caro por um produto que não agrida o meio ambiente. No entanto, na prática, apenas 52% optam por produtos ecologicamente corretos.

Os autores do estudo acreditam que a razão para isso está no fato de as pessoas acreditarem que o consumo sustentável é um sonho distante e difícil de ser alcançado. Além disso, sentem-se “pequenos” diante da grandiosa tarefa de cuidar do planeta. Para José Luiz Negrão Mucci, professor, biólogo e educador ambiental da Universidade de São Paulo (USP), a falta de orientações ainda é o maior entrave. “As pessoas acham que cuidar do meio ambiente é algo complicado, que vai lhe tomar muito tempo. Por exemplo, um cidadão pode estar bem intencionado em fazer reciclagem, mas em muitos casos, não sabe como fazer isso em sua cidade”, acredita.

Da mesma opinião é a gerente de informação do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Lisa Gunn. “O cidadão precisa de alternativas para colocar em prática o que sabe. E esta deve ser uma ação conjunta do consumidor, governo e das empresas”, afirma. Ela usa como exemplo a hora em é preciso se desfazer de um aparelho eletrônico. Para onde vai esse lixo? “Até hoje, o Brasil não tem uma política nacional de resíduos sólidos. Esses equipamentos acabam indo para o lixo comum e o resultado é que os metais com que são feitos emitem alto nível de toxicidade no ar, prejudicando a saúde humana”, frisa.

Sustentável — Ainda segundo a pesquisa do Ibope, os resultados também apontam para uma associação exagerada do termo “sustentabilidade” ao meio ambiente, o que acaba gerando repulsa em parte da sociedade contrária ao radicalismo de alguns ativistas. No entanto, para o professor da USP, José Luiz Negrão, o termo não tem um impacto para influenciar - de fato - na atitude das pessoas. “É apenas uma questão de postura e consciência do indivíduo de querer mudar os seus hábitos para garantir que as gerações futuras tenham o que nós já tivemos um dia em questão ambiental”, enfatiza. “Basta apenas colocar na cabeça que o mundo é como uma bexiga de ar. A gente vai soprando dentro dela até a hora que ela estourar. Se não pensarmos em mudar nossa maneira de viver e consumir, o mundo também não mais nos suportará”, conclui.



A verdadeira lição de casa

Mudar a maneira de se comportar, consumir e ver o mundo é possível sim. Basta apenas uma generosa dose de boa vontade. Na casa da psicóloga Elane Ximenes, 43 anos, cuidar do meio ambiente virou lei e faz parte da rotina de todos os membros da casa: do seu marido, o bancário Sílvio José Luiz, 37 anos, e dos filhos, Pedro e Thiago, 9 e 7 anos respectivamente. As crianças, na verdade, é que foram as responsáveis por levar esta regra para dentro de casa.

“Ciências sempre foi a minha disciplina favorita. Então, comecei a levar os trabalhos sobre o meio ambiente para fazer em casa e ensinar algumas coisas para os meus pais também”, conta Pedro. Com isso, o consumo da família começou a mudar. No supermercado, passaram a entrar no carrinho apenas os produtos com embalagens grandes. “É melhor comprar apenas um em maior quantidade do que vários pequenos. Assim, consigo diminuir o meu lixo”, conta Elane. Os copos plásticos também foram substituídos por garrafinhas, que podem ser lavadas e depois reutilizadas.

Como não poderia deixar de ser, também virou hábito da família separar o lixo seco do reciclável e sempre que possível a palavra de ordem é reutilizar. “Aprendi a fazer brinquedos com garrafas PET, metal, tampas e plásticos. Já consegui até montar uma tartaruga ninja e um robô”, conta, orgulhoso, o pequeno Pedro.

Já Elane tem sempre o cuidado de guardar o resto de óleo que sobra na produção dos alimentos. Ao invés de jogá-lo no lixo ou pelo ralo da pia, conserva-o em uma garrafa para doar a uma escola que utiliza o material para fazer sabão. E as atividades não acabam por aí. A família aprendeu que é possível sim tomar um bom banho sem precisar passar horas e horas embaixo do chuveiro. “Criamos o hábito de gastar cerca de 7 minutos em cada banho. É o suficiente e ainda evitamos o desperdício de água”, conta Elane, que completa: “De experiência própria, digo que estas tarefas em pouco tempo deixam de ser trabalhosas e viram hábito. Hábito de cuidar da vida, da gente mesmo e do mundo que os nossos filhos vão viver”.



Aprenda e ajude o ecossistema

ENERGIA
Hoje, o Brasil trabalha no seu limite energético. Por isso, para atender a demanda crescente, o país investe na construção de hidrelétricas, que trazem grandes impactos socioambientais, como o comprometimento da fauna e da flora no local onde se constrói o reservatório da usina. Além disso, para o seu funcionamento e construção, as hidrelétricas emitem gás carbônico e metano, principais causadores do efeito estufa

• Opte por eletrodomésticos que tenham o selo Procel. Nele, há
indicação do consumo de energia. É bom para o seu bolso e
para o meio ambiente
• Desligue os aparelhos eletrônicos quando não estiver em uso.
Hoje, estima-se que 10% do consumo de energia em uma casa
se deve ao stand-by dos equipamentos
• Evite dormir com a TV ligada ou programe para ela desligar sozinha
• Troque lâmpadas incandescentes pelas econômicas, que consomem
até 80% menos de energia
• Ligue a máquina de lavar louça e roupa apenas com a
capacidade máxima

ÁGUA
O racionamento de água já é uma realidade em
várias cidades brasileiras. Cada um pode fazer
a sua parte evitando o desperdício

• Evite lavar o carro com mangueira. Opte pelo balde com água e pano
• Certifique-se de que não há vazamentos em sua casa
• Use redutor de vazão nas torneiras. É uma borrachinha
vendida em lojas de construção que reduz o fluxo de água
• Tente diminuir o tempo gasto em um banho. Para se ter uma idéia,
se tomarmos um banho diário de 10 minutos, em um ano, teremos
consumido 59.130 litros. Se reduzíssemos o tempo no chuveiro
para cinco minutos, a economia anual seria de 29.565 litros

ALIMENTOS
Para atender a demanda da população, os agricultores precisam produzir em larga escala. Desta forma, utilizam agrotóxicos que atuam como veneno no combate a insetos e pragas que prejudicam a colheita. No entanto, esses produtos são bastante nocivos ao meio ambiente, já que poluem a terra e a água. Além disso, na Amazônia, a pecuária tem sido a maior causa de desmatamento e esta atividade é responsável por 70% da emissão de gases estufa na região. Por esta razão

• Dê preferência aos produtos que têm o selo de orgânicos. Ou seja, que não usam agrotóxicos
• Procure reduzir o consumo de carne. Ou então, pressione o seu supermercado para exigir dos fornecedores um rastreamento que possibilite ao consumidor conhecer a procedência do alimento. Assim, é possível evitar a compra de produtos oriundos de área desmatadas na Amazônia

LIXO
A maioria das cidades brasileira ainda não tem sistema de aterro sanitário eficiente. Assim, o acúmulo de lixo contribui para a poluição do solo e da água; emissão de gás metano, um dos causadores do efeito estufa, e proliferação de vetores transmissores de doença

• Tente, ao máximo, reduzir o lixo
• Separe os resíduos orgânicos dos recicláveis (plástico, vidro e papéis) e encaminhe para reciclagem
• Compre produtos duráveis e resistentes, evitando os descartáveis
• Reduza a quantidade de pacotes e embalagens quando fizer compras
• Opte pelas embalagens recicláveis
• Conserte os produtos, ao invés de substituí-los por novos
• Evite gasto de papel ou outros materiais para embalar presentes
• Utilize pilhas recarregáveis ou alcalinas

TRANSPORTE
Os veículos, principalmente a gasolina, são os grandes vilões do meio ambiente. A poluição que emitem no ar traz impactos diretos à saúde dos indivíduos. Dessa forma:

• Sempre que possível, dê preferência ao transporte público ou bicicleta, ao invés do carro
• Na compra de um carro novo, opte pelos bicombustíveis, com a opção do abastecimento a álcool

Fonte: Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Instituto Akatu, WWF-Brasil


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