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Edição de Sexta-Feira, 5 de Dezembro de 2003 
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Opinião
Opinião
A ubiqüidade do crime

O banditismo mais afoito que organizado, por uma de suas filiais, marcou dramática presença em pleno coração do Recife. Tudo se consumou na avenida Conde da Boa Vista, uma das principais artérias do centro recifense e, o que é mais, sob o testemunho abismado de apreciável multidão.

  Não se admira que uma facção desse banditismo se disponha a correr o risco de pelejar com a Polícia agora aparelhada para o duro embate. Admira-se que tenha deixado à margem agências bancárias sitas nos bairros ou nos limites da periferia citadina, para agir com extrema ousadia, à luz do sol e do testemunho multitudinário, no coração da metrópole. Estava já a acontecer deste modo sobretudo no sudeste brasileiro, mas viu-se agora, uma vez mais, que o fenômeno é nacional, para não dizê-lo continental, com tendência a espraiar-se a todos os espaços, ainda os menos imagináveis.

  Aspectos novos do banditismo contemporâneo são a ubiqüidade e a polivalência. Bandidos exploram como ninguém as facilidades criadas pela eletrônica e a informática, bem assim os modernos meios de transporte que em horas os deixam perto do objetivo colimado e longe da autoridade assim que o delito vem a ser cometido. Quadrilheiros entendem ser assaz estreita a especialização por setor, preferindo os dons da polivalência. Há bandos criminosos com departamento para o roubo de carga e departamento para o assalto a bancos. Outros, mais sofisticados ainda, intentam ao mesmo tempo o tráfico das drogas proibidas e o contrabando de armas.

  Esse aperfeiçoamento da alta delinqüência não tem sido acompanhado pelo aprimoramento técnico e material das polícias brasileiras. Num ou noutro ponto do território nacional, sim, duas ou três polícias foram forçadas a uma severa reestruturação e municiamento, porque inclusive passaram a ser alvo predileto da sanha assassina de algumas organizações criminosas. Nesses lugares e circunstâncias, prevalece agora a dramática lei da selva de matar ou morrer.

  Nas está-se a perguntar com certa angústia de que servirá esse novo nível do preparo técnico e posse de melhor aparato material, se o país continua a carecer de uma política geral e uniforme de combate à criminalidade. Polícias desunidas só engrandecem o crime. Polícias estaduais desarticuladas umas das outras só favorecem o banditismo predador de patrimônios e exterminador de vidas humanas. Ainda hoje, compartir informações sigilosas entre as polícias não é mais que simples projeto, que um mero sonho.

  O ministro da Justiça Tomaz Bastos diz que a emenda de tão difícil situação não é coisa para um ano. Será então de quantos anos, de dez, de vinte ou cinqüenta anos?

  O que se sabe é que inexiste dificuldade social a que não se possa opor a vontade política da sociedade e seus dirigentes. Se houver vontade, é claro que o assunto estará resolvido a contento durante um mandato presidencial. Se não houver, um século inteiro ainda será pouco para o desate da perigosa questão da insegurança pública em que estamos mergulhados.


Sobre curas e párocos

Juarez de Paiva Macêdo
ESCRITOR

Tenho a povoar a memória já cansada o perfil de alguns padres com os quais tratei na meninice, na juventude e mais particularmente nos últimos anos.

  O padre Apolinário, do Pilar, chutava para o alto a bola da criançada em dia festivo. Por vezes, a bota frouxa que usava também subia às nuvens, desamarrada dos pés do sacerdote, e, dado o esforço pebolístico do robusto desportista improvisado, terminava no quintal de alguma dona de casa atarefada. Era proverbial no cura pilarense o gosto pelo aperitivo antes do banho, porque o álcool sopesado, justificava-se ele, oferecia a vantagem... "de espalhar melhor o sangue".

  Desconhece-se até a data o motivo por que o monsenhor Odilon, o mais erudito escritor da Arquidiocese, foi de inopino desligado da direção do jornal católico "A Imprensa", para ser designado cura da modesta franquia de Pirpirituba. Acaso não saiba eu escrever no bom vernáculo do monsenhor, o defeito não é obra dele. Passados anos do decreto do ostracismo, fui revê-lo na cidadezinha, e estava bemdisposto e espirituoso na conversação. O enorme coração - cogitei eu, na hora - rivalizava o potente intelecto aposentado e mesmo o suplantava sob alguns aspectos.

  O elenco dos meus párocos e curas não termina aqui, é lacunoso por obséquio à síntese jornalística e só finaliza pelo melhor deste resumo.

  Quem quer que transitasse, nas adjacências da Matriz do Espinheiro, no ensejo da Missa da Ressurreição, ouviria, nítida e possante, a voz do pregador troar: "Cristo ressuscitou!", "Cristo ressuscitou!", para de contínuo acentuar o dito pauliano de que, se o Cristo não ressuscitou, faz-se vã e insubsistente a fé, "a evidência das coisas que se não vêem".

  Multidão rara pelo número e a solidariedade, pelo bem-querer e a admiração, concorreu à Matriz, a fim de festejar três datas singulares do sacerdote, no último 28 de novembro: os seus 85 anos de vida, os 60 de ordenação sacerdotal e 50 de atuação na Paróquia do Espinheiro.

  Os 85 anos de vida não são muita coisa, face os 50 de obediência aos votos e os 50de conduta irrepreensível junto dos paroquianos do Espinheiro. Houve quem julgasse invulgar e majestosa a tríplice celebração. Já outros, eu no meio destes, acharam a festividade diminuta e desproporcional aos merecimentos do sacerdote, porque festa humana, simplesmente humana na sua elaboração. Deu-me a meditar:

  Outra justiça, do Alto da Sua Eternidade, saberá suprir as nossas deficiências humanas ainda quando obramos o Bem, para atribuir ao padre Arnaldo, então, sim, todo o Gozo e toda a Luz de que em vida se fez merecedor.


Uma estátua para Everardo Luna

Paulo Gadelha
DESEMBARGADOR FEDERAL DO TRF DA 5ª REGIÃO

A memória dos grandes homens, em qualquer parte do mundo, deve ser preservada. A história, aliás, vive, também, das homenagens e do culto às celebridades. É a pedagogia do exemplo a fazer escola.

  Hoje, peço sua permissão e sua companhia para evocar, por mérito, um paraibano, meu conterrâneo, que Pernambuco conscientemente adotou e o Brasil sempre soube respeitar: o jurista Everardo Luna.

  Foi de Campina Grande, a cidade dos sete instrumentos, múltipla e dinâmica, que ele veio para se transformar, aqui no Recife, num dos luminares do Direito Penal brasileiro.

  Para quem conhece as raízes do autor do clássico ensaio - Abuso de Direito - não pode causar estranheza o brilho de sua luz acadêmica.

  O seu pai, Mauro Luna, foi um intelectual e poeta do melhor quilate, sendo, em decorrência de sua criação literária, Patrono da Cadeira nº 21 da Academia de Letras de Campina Grande, da qual Everardo integrou.

  Foi, pois, nessa atmosfera de imantação espiritual que nasceu e cresceu Everardo Luna.

  Depois, a formação jurídica na Faculdade de Direito do Recife, até a sua consagração como penalista.

  Da leitura, ainda que perfunctória, dos seus textos e estudos criminais, emana uma verdade que lhe timbrou o talento: a visão profética que tinha do Direito Penal.

  Por exemplo, na sua obra - Capítulos de Direito Penal - Editora Saraiva, 1985 - em relação ao surgimento do Direito Ambiental, ele doutrinava: "A delinqüência ecológica exige nova proteção penal do meio ambiente".

  No mesmo livro, advogando a tese do caráter educativo da norma penal, ele observa elegantemente: "O Direito Penal é uma pedagogia, uma pedagogia heróica".

  Humano, sensível, justo, ele tinha uma visão cristã dos erros e desacertos do cidadão, quando no seu livro - Estrutura Jurídica do Crime - ditou esta sentença: "Todo erro tem uma alma de verdade".

  Everardo da Cunha Luna, pela sua história, pela sua cultura, pelo homem que foi, merece uma estátua em Pernambuco e na Paraíba, memória em cal e pedra, a quem fez de sua vida um compromisso com a ética, com o direito, com a justiça


Viagra feminino

Amparo Caridade
PROFESSORA DA UNICAP

Naqueles tempos da era vitoriana, por volta de 1900, a mulher era tida como um ser que só contava para procriar, cuidar da casa e dos filhos. Não era vista sequer, como um ser merecedor do legítimo prazer que o sexual confere aos seres humanos. Pelo contrário, era controlada pelo olho mágico da sociedade, da Igreja, da Medicina, para que não se entregasse a tais prazeres. Prazer sexual era considerado "pecado", coisa feia, para ambos os sexos, mas é como se fosse monstruoso, quando se tratava da mulher. Mulher gozando pegava mal, era algo da ordem do despudor, da indecência. Isso foi há cem anos atrás, não faz tanto tempo assim.

  Hoje as coisas se inverteram, e de tal forma que, mulher que não goza é enquadrada como disfuncional, doente, ou outros adjetivos pouco qualificativos. Esses enfoques servem bem à produção farmacológica de novos produtos a serem consumidos. Parece brincadeira o que a cultura apronta ao nosso imaginário. Primeiro, é proibido gozar! Cem anos depois, se a mulher não goza é diagnosticada de frígida. Um comprimido é inventado para salvar a situação, que foi construída pela cultura durante séculos. Deu-se um salto grande demais no tempo e nas mentalidades que manipulam as condutas. De um extremo passamos ao outro. A cultura brinca assim com nosso desejo. O movimento feminista entre acertos e erros deu um grande empurrão no processo de libertação da mulher e de sua sexualidade. Muita coisa mudou, a mulher recuperou um lugar mais digno na família e na sociedade.

  Os vitorianos não acreditariam no que lemos hoje nos jornais: o Viagra feminino vem aí. Para a mera consecução do prazer. Isso pode ser bom, e ao mesmo tempo temeroso. O proibido torna-se obrigação. Haja ou não desejo, a ordem é gozar. O Viagra feminino pode ser benvindo e preocupante. Pode ser uma ajuda, mas funcionar também como uma máquina de fazer orgasmos. Máquina não faz coisas com sentido, faz com eficiência e rapidez. Faz coisas em série. Não há preocupação com o desejo. Ele pode morrer, o Viagra garante o desempenho. O importante é funcionar. Fico a meio termo. Nem com os vitorianos repressores, nem com os entusiastas do Viagra, quando o apresentam como tábua de salvação do prazer feminino. Prefiro acreditar ainda, que somos capazes de gozar, quando estamos bem conosco e quando a relação é regada a sentido e afeto. Prefiro a não submissão a orgias de desempenhos. Prefiro propor que o sexo, com ou sem Viagra, aconteça no encontro entre duas pessoas que se olham, se tocam, se excitam e se amam. Prefiro não alimentar para nenhuma mulher, a ilusão de que o Viagra vai ser a salvação. Viagra serve apenas para intumescer os genitais. É claro que isso ajuda! Mas não é tudo. Viagra não intumesce o desejo, o afeto, o sentimento, o sentido. E mulher gosta que sexo seja regado a tudo isso.

  Temo que, depois das intumescências físicas, não reste o vazio da falta de sentido desse sexo fora de si mesmo. É preciso ter clareza quanto ao que se busca neste aspecto. É preciso questionar a urgência de desempenho que atormenta as mulheres atuais. Essa urgência é de ordem pessoal ou midiática? É para atender um apelo pessoal ou para integrar o rebanho que postula ser feliz fazendo sexo pelo sexo, prezando a quantidade mais que a qualidade?

  Ser feliz é uma arte. Ser feliz sexualmente é uma arte a dois, que tem origem no encontro de pessoas, não apenas dos corpos. A dimensão feminina que está tanto no homem como na mulher, aprecia muito o sexual vivido com sentido e afeto.


Cultura de RH em Pernambuco (4)

Antônio Carlos Valença
DIRETOR TÉCNICO DE VALENÇA & ASSOCIADOS

Neste último artigo da série sobre a pesquisa de cultura de prática de RH em Pernambuco, fruto da parceria internacional entre a Valença & Associados-Aprendizagem Organizacional e a Symlog Consulting Group, para a ABRH-PE, vamos indicar os valores da prática atual da cultura de RH que merecem apreciação, e devem continuar como valores efetivos de um trabalho eficaz e democrático em equipe, e refletir sobre os valores que deveriam ser melhorados.

  Oito conjunto de valores, dentre os 26 conjuntos colocados para avaliação de sua freqüência na prática, foram avaliados dentro da média internacional de uma cultura de trabalho eficaz em equipe: aqueles voltados para o sucesso social, a amizade, o alinhamento com as normas e convenções sociais, o sucesso financeiro e o uso do poder unilateral, o individualismo, a eficiência e, finalmente, a contenção dos desejos pessoais em função das metas organizacionais. Estes valores, portanto, foram avaliados dentro do perfil aceitável e necessário para o trabalho em equipe, secomparados a mais de 2 milhões de respostas sobre a freqüência destes valores em todo o planeta.

  Foram avaliados como valores abaixo da freqüência média internacional de uma cultura de trabalho eficaz em equipe: valores voltados para a imparcialidade, a proteção dos membros menos capacitados, a proatividade em equipe, a imparcialidade, o humor exagerado, a igualdade e a participação, o idealismo responsável, a criatividade, a confiança na bondade dos outros, a fidelidade e o auto-sacrifício. Estas freqüências menores, dos valores considerados imprescindíveis, levando-se em conta suas freqüências específicas para cada situação, comprometeu em muito o perfil da cultura atual da prática de RH em Pernambuco.

  Mais grave, no entanto, foi a freqüência superior à média internacional de uma cultura de trabalho eficaz em equipe dos seguintes valores, considerados como valores que perturbam a eficácia, a coesão, o bem-estar, a produtividade, a aprendizagem e a elevação do estado de ânimo e da motivação no ambiente de trabalho: aqueles que estão voltados para a autoproteção, a resignação ante o fracasso, a resistência passiva à autoridade e, a passividade. Estes valores, quanto exagerados, levam a cultura a um tom de insinceridade, fofoca, alheamento, comprometimento externo ou higiênico e, infelizmente, permissividade e cinismo. Estas avaliações foram preocupantes e contribuíram para um perfil pouco eficaz da cultura atual da prática de RH em Pernambuco.

  Na verdade, a cultura atual, por força do amplíssimo escopo de respostas de valores diversos e contraditórios entre si, ou em termos mais técnicos, pela ampla dispersão de respostas, ficou caracterizada como uma cultura sem um perfil definido. O Symlog Consulting Group apresentou o diagnóstico ou parecer de uma cultura "oscilante ou ambivalente". Digamos, num termo popular, uma cultura de pessoas "em cima do muro". Tecnicamente, a equipe de Valença & Associados-Aprendizagem Organizacional apresentou o seguinte parecer: "No levantamento realizado com os respondentes dapesquisa sobre a Cultura Atual da prática de RH em Pernambuco, encontramos um grau excessivo de dispersão de respostas de valores, de tal modo, que se configurou um ponto médio numa área considerada de indefinição ou de oscilação de valores de poder, afeto e realização da tarefa. Ou seja, não foi possível estabelecer um perfil que demonstrasse uma inclinação maior por um destes eixos, por dois ou mesmo os três eixos teóricos. Este fenômeno ocorre quando as avaliações, na média do grupo, tendem a subtrair as avaliações opostas entre eixos. Um exemplo: quando uma pessoa pontua alto em poder e uma outra pontua baixo em poder; ora, isto acarreta a anulação de uma avaliação pela outra, colocando o ponto num espaço de indefinição ou oscilação. Este fenômeno aconteceu para todos os três eixos, impossibilitando um perfil dominante

  Nós de Valença & Associados- Aprendizagem Organizacional ficamos honrados em participar com a ABRH-PE e com a Symlog Consulting Group nesta pesquisa. Queremos nos colocar ao inteiro dispor de todos os associados da ABRH-PE, além do mundo acadêmico e empresarial para avaliar ainda e melhor, com exercícios de diálogo e de reflexão pública sobre os resultados apresentados nestes 4 artigos. Todos os leitores interessados em analisar e eventualmente copiar o relatório completo desta pesquisa, favor acessar nosso endereço eletrônico (
www.valencaeassociados.com.br) a partir do dia 03 de dezembro de 2003. Neste mesmo endereço estará disponível um outro relatório da sessão de Investigação Apreciativa, realizada no último sábado 22 de novembro no Cerne, em Aldeia. Naquela ocasião foram realizadas as fases Diagnóstica da Descoberta Apreciativa e da Construção dos Cenários Desejantes de 2005 para a ABRH-PE. Nos dias 5 e 6 de Março haverá a conclusão desta Investigação Apreciativa.

 
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