Edição de Segunda-Feira, 4 de Agosto de 2003
 

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Os Holandeses em Pernambuco - Uma história de 24 anos

Holandeses invadem Pernambuco

1630

Leonardo Dantas Silva
Especial para o DIARIO

Na primeira metade do século XVII a riqueza da capitania de Pernambuco, bem conhecida em todos os portos da Europa, veio despertar as atenções dos Países Baixos que, em guerra com a Espanha, sob cuja coroa estava Portugal e suas colônias, necessitava de todo açúcar produzido no Brasil para suas refinarias (26 só em Amsterdam). Com o insucesso da invasão da Bahia (1624), onde permaneceram por um ano, mas com o valioso apoio de Isabel da Inglaterra e Henrique IV da França, rancorosos inimigos da Espanha, a Holanda, através da Companhia das Índias Ocidentais, formada pela fusão de pequenas associações, em 1621, cujo capital elevara-se, em pouco tempo, a 7 milhões de florins, voltou o seu interesse para Pernambuco.

Naqueles idos de 1629, estavam os habitantes de Olinda empenhados em festejar o nascimento do Príncipe Baltazar, filho do rei Felipe IV e de sua mulher Isabel de Bourbon1, e pouca atenção davam para os conselhos de Pedro Corrêa da Gama, empenhado em fortificar a sede da capitania e o porto do Recife, ante a ameaça da presença de uma armada holandesa que, segundo já se anunciava, viria tomar Pernambuco.

No púlpito da Matriz do Salvador, grandioso templo erguido em três naves, com seus altares cobertos de ouro ostentando alfaias em prata dourada, o dominicano frei Antônio Rosado, ao condenar a vida de prazeres dos perdulários habitantes da capitania, vaticinara em altos brados:

Ah! Olinda, que do teu nome ao de Holanda não há de mudar mais que o i em a. Antes de muitos dias hás de ser destruída e abrasada por holandeses, em castigo dos grandes pecados que cometes, e me parece que já te vejo arder em fogo, olha que, pois falta a justiça da terra, há de vir a do céu!

Os vaticínios do frade não se fizeram esperar. Poucos dias depois do seu sermão profético, eis que um patacho, vindo do Arquipélago do Cabo Verde, chega ao Recife anunciando a partida, em 26 de dezembro de 1629, de uma grande armada da Holanda com destino a Pernambuco.

Mas logo apareceram os argumentos dos descrentes dessas ocasiões: Se essa frota se tivesse dirigido ao Recife, não chegaria primeiro do que o patacho, que partiu depois dela do CaboVerde?

O raciocínio era bastante para acalmar os ânimos e a garantir mais alguns dias de festas em regozijo ao nascimento do herdeiro do trono de Espanha.

O governador Matias de Albuquerque, por sua vez, ao contrário dos descrentes, logo convocou o Conselho e determinou algumas poucas medidas que poderia tomar em defesa da sede da capitania, impedindo que qualquer habitante deixasse a vila ou dela retirasse qualquer bem de valor.

Apenas se passaram oito dias, da chegada do patacho, eis que a esquadra holandesa é avistada do Cabo de Santo Agostinho, vinha em busca da riqueza maior da capitania: o açúcar!

A produção de 121 engenhos de açúcar, "correntes e moentes" no dizer de van der Dussen, 2 viria a despertar a sede de riqueza dos diretores da Companhia, que armou uma formidável esquadra sob o comando do almirante Hendrick Corneliszoon Lonck, que, com 65 embarcações e 7.280 homens, apresentou-se nas costas de Pernambuco em 14 de fevereiro de 1630, iniciando assim a história do Brasil Holandês.

Matias de Albuquerque, governador da capitania, procurou concentrar os seus esforços da defesa do Recife, mas o general holandês Theodoro Waerdenburch, seguindo o que fora planejado na Holanda, desembarcou as forças terrestres na praia do Pau Amarelo e no comando de um exército de 3.000 homens marchou sobre Olinda.

No combate do Rio Doce, venceu as tropas de Matias de Albuquerque tomando conta de Olinda. Recolhendo-se ao Recife, onde a defesa estava sob o comando de Antônio Lima e não suportando o ataque por terra e mar, o general Matias de Albuquerque determinou o incêndio de 24 navios surtos no porto, carregados de oito mil caixas de açúcar, algodão, pau-brasil e tabaco - "que tudo valeria bem um milhão e seiscentos mil cruzados" - e retirou-se para o interior, onde a 4 de março fundou o Arraial do Bom Jesus [na atual Estrada do Arraial], iniciando, assim, a chamada guerra da resistência.








 

 
 
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