Edição de Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2001
 
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Guel Arraes reinventa o Brasil

Luciana Veras
especial para o DIARIO

Partindo de personagens reais, outrora retratados num dos clássicos da literatura arcadista, um pernambucano que já morou na Argélia botou na cabeça a idéia de reinventar o Brasil. E assim Guel Arraes o fez, primeiro na minissérie A Invenção do Brasil, exibida pela Globo em abril/2000, e agora em Caramuru - A Invenção do Brasil, em cartaz em duas salas recifenses e em centenas de outras no País.

  Fruto do casamento entre cinema e televisão, a película (que aliás nem foi rodada em filme, e sim em HDTV, formato duas vezes superior ao DV Cam) explora todo o potencial desta relação. "Caramuru na TV era um docudrama e as histórias eram comentadas por um apresentador. Ao retirar os documentários, a história veio para o primeiro plano", conta Guel, que teve Jorge Furtado como braço direito na elaboração do roteiro e Lenine como responsável pela trilha sonora.

  Ele, porém, não trata a união das duas linguagens como a mais brilhante das novidades: "Esse casamento é um casamento técnico, uma jogada de produção. Seeu não tivesse passado A Invenção para a tela, não faria diferença para mim. É só para as pessoas dizerem 'agora é um filme', porque sei que já tinha feito antes". Mas Guel reconhece as vantagens. "A possibilidade interessante da ligação é trazer para os técnicos a tecnologia do cinema", opina.

  O profissional que fez escola no humor com Armação Ilimitada e TV Pirata não se considera o único a investir nesta parceria. "Não sou eu que está criando essa diferença, é esta geração que está criando. Porque Fernando Meirelles é um diretor, assim como eu, como o Jorge, o Luiz Fernando Carvalho e o Walter Salles, que se formou em TV, fazendo documentários ou comerciais. Essa fronteira existe menos pra gente", argumenta. "Cidade de Deus, filme do Meirelles, pode virar uma série. Tem muito material, então se você dividir em quatro capítulos, igual ao Auto, você tem uma série de televisão", reforça.

  Na ponta do lápis, os números de Caramuru demonstram que a Globo Filmes não mediu esforços para reduzir as 2h25 da série para a 1h30 do longa, que estreou na sexta passada com 120 cópias no Brasil. Guel revela que foram gastos mais R$ 500 mil no processo de transposição da HDTV para película - a minisséria já havia consumido R$ 2 milhões. Tudo para narrar o romance de Diogo Álvares (Selton Mello) e Paraguaçu (Camila Pitanga).

  Ele, um pintor que se deu mal ao cair de amores por uma nobre corrupta (Debora Bloch) em Portugal e é degredado para as Índias; ela a mais velha das filhas do cacique Itaparica (Tonico Pereira), cuja antropofágica tribo dos tupinambás recepciona os sobreviventes de um naufrágio que dividiu a esquadra cabralina. "É a dicotomia entre o Velho e o Novo Mundo, cada um tem uma moral sexual, eles se parecem seres de dois planetas diferentes e conseguem superar os obstáculos. Assim, eles ajudaram a formar o início do Brasil", expõe Arraes.

Serviço

Caramuru - A Invenção do Brasil (Brasil, 2001). Direção: Guel Arres. Com Selton Mello, Camila Pitanga, Deborah Secco. Censura livre.

Onde e quando: Nos Multiplex Recife 3 e Tacaruna 8








 

 
 
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