Mallavoodoo estréia com o álbum O Inverno e a Garça, que tem show de lançamento hoje na Opus Discos
Débora Nascimento
Da equipe do DIARIO
O nome parece ser de uma banda de heavy metal; o título do CD, de um dos discos solo de Renato Russo. Mas, o grupo Mallavoodoo e seu álbum de estréia, O Inverno e a Garça, passam longe disso. Trabalho jazzístico, encostando no estilo do Weather Report, a bolacha surge após cinco anos de batalha da banda entre ensaios, apresentações e atividades paralelas. Para quem ainda não conhece a sonoridade do quarteto, a oportunidade será hoje, com o mini-show de lançamento (entrada gratuita), que acontece a partir das 20h no estacionamento do Shopping Sítio da Trindade, onde está localizada a Opus Discos, loja que está comercializando o CD.
Produzido pelo baixista Thales Silveira, O Inverno e a Garça desponta através dos benefícios do Sistema de Incentivo à Cultura, na sua versão municipal. O patrocínio foi obtido com o Hospital Jayme da Fonte. Ao todo foram gastos R$ 28 mil na realização, que incluem as 150 horas de estúdio (gravação e mixagem), além de masterização e confecção da capa do disco. "Nenhum de nós realmente tem condições de colocar R$ 7 mil num projeto desse porte", explica o baixista Thales Silveira a demora da chegada do primogênito. Portanto, como a lei não comporta a produção de espetáculos de lançamento, o grupo também preferiu realizar um show mais próximo do público, uma pequena apresentação para poucos.
O que a platéia vai assistir hoje à noite é o mesmo set list do citado álbum: Boston 88 (Thales Silveira), Ontem (Alexandre Bicudo), Garça (Thales), Invernando (Mário Lobo), Combluestível (Lobo), The Man and the Night (Thales), Tale Vamp Silver, o Galo (Thales), Olho Mágico (Lobo), Cinema (Bicudo), Mallavoodooo (Thales), De Repente, Foi... (Ebel Perrelli/Thales/Lobo/Bicudo).
O mais curioso é que a história da banda recifense veio a começar nos Estados Unidos. Lá, em 1983, os músicos Thales Silveira e Mário Lobo (teclados e sax) se conheceram na Berklee College of Music, em Boston, onde estudaram música. Em 1987, voltaram ao Recife e foram tocar em várias casas noturnas locais, ora em formato de dueto, ora ao lado de outros instrumentistas.
Já o guitarrista Alexandre Bicudo agregou-se em 1992. Na época, o grupo era conhecido como Palladium; depois virou Tusch (para quem não lembra, era liderada pela cantora Mônica Feijó). Em 1996, com a entrada do baterista Ebel Perelli, a banda ficou com a atual formação e batizou-se de Mallavoodoo, cujo significado inexiste.
De lá para cá, nas suas apresentações, o repertório teve inserções de suas próprias composições entre os covers que realizavam dos Beatles, Rolling Stones e dos clássicos dos anos 70. "A partir disso, a gente amadureceu nossas canções, percebendo o que realmente funcionava. Aos poucos, montamos os arranjos", lembra o baixista.
Em suma, privilegiando a improvisação, o Mallavoodoo realizou um trabalho jazzístico em O Inverno e a Garça. "O disco foi gravado com todo mundo junto e não em partes", informa Thales. "O jazz é mais uma forma de abordagem, um jeito de tocar e até de ver o Mundo. Claro, num plano mais filosófico, como ter a liberdade de criar sem preocupar-se com rótulos. Mas também tem uma coisa de rock, de rock bem feito".
Enfim, o que se ouve no álbum é resultado da influência que cada um dos membros trouxe para o conjunto. Elas passeiam por grupos de jazz, como o Weather Report, o trompetista Miles Davis, o tecladista Herbie Hancock, o guitarrista Steve Vai e o rock dos Beatles e Rolling Stones.
Serviço
Show de lançamento do CD O Inverno e a Garça, do Mallavoodoo
Onde: Opus Discos (Shopping Sítio da Trindade, na Estrada do Encanamento, 480, Parnamirim)
Quando: Hoje, às 20h
Quanto: Aberto ao público e o CD custa
R$ 15,00
Informações: 3442.1616/1611