Recife, Terça-Feira, 27 de Janeiro de 1998

Justiceiro deve ir para manicômio

Hélio José Muniz, o Helinho, está sendo avaliado por uma junta médica do Sistema Penitenciário

O detento do presídio Anibal Bruno, líder do grupo de extermínio Os vingadores, Hélio José Muniz, conhecido como Helinho, 21 anos, poderá ser transferido para o Manicômio Judiciário. "Ele está sendo avaliado por uma junta médica da Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe) e se ficar constatado que tem problemas mentais, solicitaremos sua transferência à Justiça. No momento, por medida de segurança, ele está sozinho em uma cena à disposição do setor de triagem do presídio", afirmou o diretor do Anibal Bruno, capitão Roberto Galindo.

O diretor destacou que teme pela vida de Hélio Muniz que confessou ter praticado entre 60 e 65 assassinatos de bandidos, mas recorda apenas os nomes de 46 vítimas. "Ele disse que matou e vai continuar matando bandidos, então não é prudente colocá-lo junto com os outros detentos", afirmou o capitão. Hélio Muniz e Cláudio dos Santos Barbosa foram presos, semana passada, em Paudalho, quando pretendiam ir ao município de Carpina para matar um homem identificado como Rui que, segundo Muniz, era bandido. Também fazem parte da gangue e estão foragidos Val Ninja, Val Gordo e Coquito que atuavam no município de Camaragibe, e nos bairros de Torrões e Iputinga.

Galindo disse que como policial e diretor de um presídio, deve acreditar na recuperação de Helinho. "Particularmente, não acredito que ele tenha assassinado dezenas de pessoas. Nos contatos que temos com assassinos, notamos que quanto mais perigoso, mais ele procura esconder seus crimes. Esse rapaz deve ter algum distúrbio psicológico", avaliou o diretor do presídio, acrescentando que acredita na recuperação de Hélio Muniz.

Hélio Muniz disse que começou a praticar assassinato aos 19 anos, depois que seu cunhado, o marceneiro identificado como Manoel, foi assassinado por assaltantes que levaram sua bicicleta. "Desisto bandido que rouba de quem não tem. Só dou valor a assaltante de banco", afirmou o justiceiro. A família de Muniz acredita que foi torturado pela polícia para confessar crimes que não praticou.

Semana passada,antes dele ser levado para o Anibal Bruno, familiares protestavam na frente da Delegacia do Cordeiro, alegando que ele tinha sido torturado pela polícia para se responsabilizar pelas mortes de bandidos que atuavam em Camaragibe e nos bairros de Iputinga e Torrões. "Não é verdade. Confessei meus crimes porque a polícia já sabia de minha fama", destacou o preso. Ele disse que teme pela vida de seus familiares, mas que entrega a Deus. Antes de se tornar exterminador, Muniz foi integrante da Igreja Universal do Reino de Deus. "Depois que sai foi pior. Oito demônios passaram a andar comigo", destacou.

SUICÍDIO

O chefe do grupo Os vingadores chegou no Anibal Bruno, na última sexta-feira, mas antes, apontou três alternativa para o futuro: continuar matando bandidos, ser assassinado por outros presos, ou praticar o suicídio. "Já conversei com ele e acho que consegui convencê-lo de não se matar, mas por medida de precaução, ele foi deixado em uma cela, apenas com a roupa do corpo", disse o diretor. O capitão Galindo informou que atualmente, no Anibal Bruno Hélio Muniz é o preso que confessou o maior número de assassinatos.

A população carcerária do Anibal Bruno é formada por pessoas que aguardam decisão judicial. Ontem, 2.020 pessoas faziam parte da superpopulação do presídio. "Não temos estatísticas, mas sabemos que entre 10% e 20% dos detentos são acusados de porte ilegal de arma, lei que entrou em vigor o ano passado", explicou o capitão. Estas pessoas ficam em local separado, não mantêm contato com os presos considerados mais perigosos.


Operação Alerta Geral combate a violência

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